Daniela CanguçuMastologia e Cirurgia OncoplásticaAgendar
Cirurgia

Cirurgia das mamas

Nódulos e tumores mamários, mama acessória na axila e ginecomastia. Cada indicação é discutida com você antes.

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Ilustração: mãos acolhendo outra mão, gesto de segurança antes de um procedimento

Cirurgia conservadora ou mastectomia

Por muito tempo se acreditou que quanto mais extensa a cirurgia, mais segura ela seria. O avanço da mastologia mostrou outra coisa: a segurança do tratamento não depende da extensão da cirurgia, e sim da associação entre diagnóstico precoce, margens livres e tratamento complementar adequado.

Em casos selecionados — geralmente quando o tumor é pequeno em relação ao volume da mama, há possibilidade de obter margens cirúrgicas livres e a paciente pode realizar radioterapia — a cirurgia conservadora, ou quadrantectomia, oferece a mesma taxa de sobrevida e de controle local da doença que a mastectomia total.

Esses resultados foram comprovados em estudos internacionais, como o NSABP B-06 (Fisher et al., NEJM, 2002), e estão nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia (2023) e da NCCN (2024).

A cirurgia conservadora não é uma alternativa menos segura. É uma escolha baseada em critérios clínicos, anatômicos e oncológicos — feita caso a caso.

Quando preservar a mama não é seguro

Existem situações em que preservar não é a conduta indicada. Isso não significa perda: significa priorizar a sua vida.

  • Tumores grandes em relação ao tamanho da mama
  • Múltiplos focos de câncer espalhados pela mama
  • Comprometimento da pele ou do mamilo
  • Retorno da doença após uma cirurgia conservadora anterior
  • Contraindicação à radioterapia, que é parte essencial do tratamento depois da quadrantectomia

Segundo as diretrizes da SBM (2023) e da NCCN (2024), nessas situações a mastectomia aumenta as chances de controle local da doença — e pode ser associada à reconstrução imediata.

Mama acessória na axila

Aquilo que você chama de gordurinha da axila pode ser tecido mamário fora do lugar — uma condição chamada mama acessória, ou polimastia. A incidência fica entre 0,4% e 6% da população geral, segundo publicação indexada no SciELO, e em 60% a 70% dos casos ela aparece exatamente na axila.

A origem é embrionária. Durante o desenvolvimento fetal, o tecido mamário se distribui numa linha que vai da axila até a virilha, e ao fim do processo apenas os dois pontos centrais deveriam permanecer. Quando essa regressão é incompleta, um fragmento fica na axila e passa a responder às variações hormonais ao longo da vida: incha no ciclo, aumenta na gravidez e pode produzir leite na amamentação.

É esse comportamento que a diferencia de acúmulo de gordura — e é também o que torna a avaliação necessária. Como qualquer tecido mamário, ela pode desenvolver cistos e nódulos. O ultrassom ou a mamografia confirmam se o volume axilar tem características glandulares, e a retirada cirúrgica, quando indicada, é o tratamento definitivo.

Ginecomastia

O aumento do tecido mamário no homem também é assunto de mastologista. A avaliação investiga a causa antes de qualquer conduta, e o tratamento cirúrgico é indicado conforme o caso.

O acompanhamento depois

Nas primeiras semanas, as consultas avaliam a cicatrização, a drenagem, o movimento do braço e o controle da dor. Com o tempo, as revisões mudam de foco: acompanhar os efeitos dos tratamentos complementares e verificar sinais de recidiva.

A periodicidade varia conforme o caso — em geral a cada 3 a 6 meses nos dois primeiros anos, e anual depois disso. Em cada revisão, exame físico detalhado e os exames de imagem que fizerem sentido para o seu histórico. É o que orientam as diretrizes da SBM, da NCCN (2024) e do INCA.

O cuidado não termina na alta.

Dúvidas frequentes

O que as pacientes me perguntam sobre isso.

É possível preservar a mama no tratamento do câncer?

Em muitos casos, sim. Em situações selecionadas, a cirurgia conservadora oferece a mesma taxa de sobrevida e de controle local que a mastectomia total, conforme o NSABP B-06 e as diretrizes da SBM (2023) e da NCCN (2024). A decisão depende do tamanho do tumor em relação à mama, da possibilidade de margens livres e da indicação de radioterapia.

Aquela gordurinha na axila pode ser outra coisa?

Pode ser mama acessória — tecido mamário fora do lugar, presente em 0,4% a 6% da população. O sinal que a diferencia de gordura é responder ao ciclo hormonal: inchar na menstruação, aumentar na gravidez. Se o volume não respondeu a mudança de hábito e varia com o ciclo, vale avaliar.

Mastectomia significa ficar sem a mama?

Não necessariamente. Desde 2018, a Lei 13.770 garante o direito à reconstrução mamária pelo SUS e pelos planos de saúde, e em muitos casos ela pode ser feita no mesmo ato cirúrgico da mastectomia.

Quanto tempo dura o acompanhamento depois da cirurgia?

A periodicidade varia conforme o caso: em geral, consultas a cada 3 a 6 meses nos dois primeiros anos e anuais depois, com exame físico e exames de imagem conforme o histórico.

Referências

  • NSABP B-06 — Fisher et al., New England Journal of Medicine, 2002
  • Diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia (2023)
  • NCCN Guidelines (2024)
  • INCA
  • SciELO — mama acessória
  • Lei 13.770/2018

O próximo passo é uma conversa.

Com uma dúvida, um exame na mão ou um diagnóstico recente — o agendamento é pelo WhatsApp, e a secretária organiza o horário com você.

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Dra. Daniela Canguçu sentada, com as mãos no colo, olhando para a câmera